Terapia ABA na Clínica Incentivo – Parte 1

A Terapia ABA ou, mais corretamente, Intervenção Baseada em Análise do Comportamento Aplicada, é o tipo de intervenção que tem produzido melhores resultados no tratamento de pessoas com TEA (Transtorno do Espectro do Autismo) e com outros tipos de desenvolvimento atípico. Desde a sua popularização – após a publicação seminal de Lovaas, em 1987 – até hoje, os procedimentos e processos que envolvem a Terapia ABA passaram por diversas mudanças. Na verdade, eles mudam frequentemente, pois se adaptam continuamente às novas descobertas científicas. Atualmente, a Terapia ABA no Brasil tem passado por um processo de produzir um maior equilíbrio entre estratégias estruturadas e naturalísticas, resultando em uma intervenção mais interessante e relevante para os clientes.

Seguindo a prática de se adaptar às novidades, recentemente implementamos novos procedimentos na Clínica Incentivo. Por isso, decidimos fazer uma série de textos explicando algumas características da intervenção como realizada aqui na instituição. Neste primeiro texto, falaremos um pouco sobre os passos iniciais da intervenção, ou seja, o que fazemos quando o cliente chega: avaliação.

Iniciamos, claro, com uma anamnese, na qual coletamos dados iniciais do cliente, incluindo seu histórico terapêutico, características comportamentais e objetivos gerais da família. Após a anamnese, realizamos uma avaliação ampla do repertório do cliente. Na Clínica Incentivo, aplicamos o SIA (Sistema Integrado de Avaliação), um protocolo próprio que avalia cerca de 280 aspectos comportamentais, divididos em 18 áreas. Essas áreas incluem colaboração durante o aprendizado; habilidades verbais, como nomear, responder, requisitar; compreensão de linguagem; habilidades de brincadeira individual e social; habilidades pré-acadêmicas e acadêmicas; habilidades sociais; dentre outras. O SIA ajuda o avaliador a identificar o repertório acumulado do cliente, o quão rapidamente ele aprende, sua capacidade de derivação de novas respostas, sua fluência comportamental, a ocorrência de generalização, e a existência de comportamentos que podem dificultar a aprendizagem. Além dos comportamentos na clínica, durante o SIA são feitas visitas escolares com o objetivo de avaliar o cliente em sala de aula.

Com base na avaliação, criamos o PII (Plano Individualizado de Intervenção), no qual são descritos os objetivos terapêuticos, as atividades a serem realizadas, e os procedimentos a serem executados pelos profissionais que trabalharão com o cliente. Sendo que na Clínica Incentivo atendemos casos de TEA leve, moderado e grave, os PII variam bastante em amplitude e complexidade, dependendo das necessidades de cada um.

Durante o processo de avaliação e após seu término, os ATs (assistentes terapêuticos/aplicadores) são treinados em conceitos importantes da Terapia ABA e nos procedimentos necessários para o atendimento dos clientes. O desempenho dos ATs é avaliado semanalmente, por meio de um protocolo desenvolvido na Clínica Incentivo. O treinamento e avaliação das ATs serão tópicos do segundo texto desta série.

Depois que as ATs demonstrarem bom desempenho, e com o PII da criança pronto, iniciam-se os procedimentos de intervenção. As características da intervenção serão apresentadas nos próximos textos.

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